TEMOS QUE PARTICIPAR ATIVAMENTE CONTRA A VIOLÊNCIA, NINGUEM PODE DIZER QUE ESTÁ LIVRE DELA. DENUNCIAR, EDUCAR, PARTICIPAR... SÃO OS NOSSOS DEVERES DE CIDADÃO!
Primeiramente o combate deve ser efetuado coercitivamente nos efeitos, já que os cidadãos de bem vêm sofrendo com a dor da doença e, só depois na causa, extirpando o tumor através de medidas que só podem ser adotadas caso haja uma mobilização de toda a população do país, a qual exija e execute mudanças de caráter emergencial no que tange a moralidade do povo e ao Código penal brasileiro.
O “mal” acontece principalmente por três motivos, o primeiro é a corrupção, o segundo é pela situação social da grande maioria do povo brasileiro e o terceiro pela impunibilidade que caracteriza as leis do país que protegem marginais e acabam por punir os homens de bem.
Sei que é difícil mudar a cultura enraizada de um país, mas as mazelas estão a cada dia mais fortes, o câncer se alastra e, só nós podemos mudar isso. Ao mesmo tempo, me sinto desesperançoso, pois, são pouquíssimas as opções em termos de politicagem honesta e aqueles políticos que o são, ao tomar participação de cargos e da rede de interligação de interesses e favores para se elegerem ou manterem-se em seus cargos, acabam por desistir da política ou sucumbir às pressões em nome de sua própria “sobrevivência”.
Falta personalidade, e pulso forte aos nossos representantes, a política virou cúmplice do tráfico de influências e conseqüentemente das drogas, assassinatos e tantos outros males da sociedade.
Não obstante se raciocinarmos, os exemplos de nossas vidas e do mundo que nos cerca é que nos fazem ser o que somos, o problema está na índole que origina a formação do caráter de todo um povo.
Nos últimos anos a sociedade brasileira entrou no grupo das sociedades mais violentas do mundo. Hoje, o país tem altíssimos índices de violência urbana (violências praticadas nas ruas, como assaltos, seqüestros, extermínios, etc.); violência doméstica (praticadas no próprio lar); violência familiar e violência contra a mulher, que, em geral, é praticada pelo marido, namorado, ex-companheiro, etc...
A questão que precisamos descobrir é porque esses índices aumentaram tanto nos últimos anos. Onde estaria a raiz do problema?...
Vou fazer uma rápida e superficial análise do que leva as pessoas no Brasil a se envolverem na marginalidade ou corrupção.
Infelizmente, o governo tem usado ferramentas erradas e conceitos errados na hora de entender o que é causa e o que é conseqüência. A violência que mata e que destrói está muito mais para sintoma social do que doença social. Aliás, são várias as doenças sociais que produzem violência como um tipo de sintoma. Portanto, não adianta super-armar a segurança pública, lhes entregando armas de guerra para repressão policial se a “doença” causadora não for identificada e combatida.
Já é tempo de a sociedade brasileira se conscientizar de que, violência não é ação. Violência é, na verdade, reação. O ser humano não comete violência sem motivo. É verdade que algumas vezes as violências recaem sob pessoas erradas, (pessoas inocentes que não cometeram as ações que estimularam a violência). No entanto, as ações erradas existiram e alguém as cometeu, caso contrário não haveria violência.
Em todo o Mundo as principais causas da violência são: o desrespeito a prepotência crises de raiva causadas por fracassos e frustrações crises mentais (loucura conseqüente de anomalias patológicas que, em geral, são casos raros).
Exceto nos casos de loucura, a violência pode ser interpretada como uma tentativa de corrigir o que o diálogo não foi capaz de resolver. A violência funciona como um último recurso que tenta restabelecer o que é justo segundo a ótica do agressor. Em geral, a violência não tem um caráter meramente destrutivo. Na realidade, tem uma motivação corretiva que tenta consertar o que o diálogo não foi capaz de solucionar. Portanto, sempre que houver violência é porque, alguma coisa, já estava anteriormente errada. É essa “coisa errada” a real causa que precisa ser corrigida para diminuirmos, de fato, os diversos tipos de violências.
No Brasil, a principal “ação errada”, que antecede a violência é o desrespeito. O desrespeito é conseqüente das injustiças e afronta-mentos, sejam sociais, sejam econômicos, sejam de relacionamentos conjugais, etc. A irreverência e o excesso de liberdades (libertinagens, estimuladas principalmente pela TV), também produzem desrespeito. E, o desrespeito, produz desejos de vingança que se transformam em violências.
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Ao ser miserável ou pobre, pensa-se em se tornar rico, para se tornar rico pensa-se em como os ricos se tornaram ricos. Nesse ponto chegasse a três conclusões: herdar, estudar, ou ganhar dinheiro ilicitamente (roubar).
A primeira solução praticamente não existe, pois, quando se é pobre ou miserável, a não ser em contos de fadas, é que pode descobrir que existe uma fortuna a sua espera. Então pensasse em estudar, mas neste momento tem que se fazer uma opção, ou se estuda ou trabalha para ajudar nas despesas de casa, ai o cidadão pensa: se estudar não trabalho, se não trabalho não me alimento e não consigo estudar, sem falar nas precárias condições do ensino público no país. Então decide por trabalhar, mas o trabalho sem estudo não enriquece, ai pensa novamente: “vou passar minha vida toda sendo miserável? Não, quero ficar rico, ter tudo do bom e do melhor”, afinal, sempre queremos o melhor para nós e nossos filhos.
Então se chega a conclusão que, não se vai herdar dinheiro, de que o estudo e o trabalho não convivem em harmonia para quem não tem boas condições de vida, neste instante, olha-se para o lado, ali bem pertinho, o amigo de infância desfila com acessórios de ouro, com o carro do ano e pergunta-se: “por que não?”, e acaba por aderir a vida bandida e a realizar seus sonhos e de sua família, mesmo que não dure por muito tempo, mas realizou ou realizará coisas que talvez jamais tivesse oportunidade de viver.
Essa sedução pode não ocorrer assim desta forma, mas ocorre de algum jeito, sejam após tentativas frustradas de sobreviver com dignidade, ou por preconceitos, muitos até começam tão cedo que não têm sequer a oportunidade de distinguir o que é certo do que é errado e pensam que o inverso é o correto.
Ai se pensa: “ah, e os ricos? Eles têm condições, muitos estudaram e mesmo assim se corrompem, roubam e mandam matar”.
Esta pequena parcela da população brasileira tem pessoas dignas e honestas, mas estamos falando da parte podre da sociedade burguesa, que é na verdade a responsável pela retro-alimentação de todo este processo de exclusão social e, conseqüente crescimento da marginalidade que assola o país.
Engana-se quem pensa que o rico por ser rico é mais feliz, ou se acomoda por isso, o rico(generalizando) quer ser cada vez mais rico. Eles têm acesso à educação e cultura que podem permitir que assim o consiga, mas ao contrário do que pode se pensar, no mundo atual, não é mais tão fácil ganhar dinheiro e se manter em padrões sociais em que se ostentavam as tradicionais famílias a décadas atrás com o fruto do próprio trabalho.
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A saída é a política, um meio eficaz de se conseguir regalias, favores e colocação, muitos, dos hoje “homens fortes” do país, têm por trás de si algum político que ostenta de alguma forma algumas necessidades estratégicas de promoção de suas empresas ou de bens e valores pessoais.
Assim, se envolvem ou tornam-se “reféns” de manobras políticas, financiando candidaturas, cargos ou favorecimentos. Alimentam um sistema, uma rede suja de interesses mutantes e conflitantes.
Essa rede de relacionamentos pode ter em suas pontas pessoas com interesses distintos, mas que necessitam uma das outras. Por exemplo, o empresário deseja abrir novas filiais e expandir o seu negócio em outro estado, mas para isso necessitará de uma intervenção política para facilitar de alguma forma o andamento deste processo, neste momento existe a intervenção de um político (facilitador) que lhe presta esse favor e consegue a liberação do investimento para aquele estado.
Num momento futuro, o mesmo político está necessitando de dinheiro para poder se reeleger e recorre ao grande empresário, este por sua vez o financia. O político necessita de apoio populacional (votos) e “investimento” desse dinheiro arrecadado para a campanha, assim, como são pessoas “espertas”, fazem acordos com as pessoas de influencia sobre os mais pobres (que como todos nós sabemos são a maioria da população brasileira). Essas pessoas de “influência” sobre as camadas mais pobres geralmente são as que comandam o morro e o tráfico de drogas no local, pessoas que “protegem” essa população desde que eles omitam a sua existência e de suas atividades. Então o político providência a moeda corrente do morro que é a droga, um grande investimento que dá retornos muito acima de muitas aplicações financeiras. O risco é baixo, já que a polícia também miserável, adere ao esquema de omissão em virtude de favorecimento e regalias, que de outra forma não poderiam ser alcançadas. Então, com o controle do morro e retorno do seu investimento, é praticamente garantida a sua reeleição e assim o ciclo se completa.
A filha do empresário e amigo do filho do político vão até o morro comprar droga na mão do nosso amigo do exemplo lá de cima, pra cheirar em festas a beira de enormes piscinas e músicas techno, enquanto seus pais estão em Brasília, discutindo o futuro do país.
Esse não é um cenário de ficção, ou novela das oito, é o que acontece em nosso país todos os dias.
È preciso, em comunhão com a intervenção coercitiva nos “morros” desse país, uma intervenção moral de TODA população, pois, só nós podemos mudar esse quadro deprimente, afinal, como diz o ditado, não existiria o corruptor se não houvesse o corruptível.
Precisamos fazer nossa parte, em nosso mundo e ciclo de amizades, precisamos ser referências de dignidade, honestidade e respeito, mesmo que soframos com as conseqüências, poderemos dormir tranqüilos, sem ter que pensar que nossos filhos estão se matando e cheirando um mundo que construímos, e assim saber que esse mundo hediondo que ai está não é nosso.
Precisamos lutar para fazer do nosso mundo a realidade e não a exceção.
E para isso nossas armas são a honestidade, dignidade, respeito e responsabilidade do voto.
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Nas grandes metrópoles, onde as injustiças e os afrontamentos são muito comuns, os desejos de vingança se materializam sob a forma de roubos e assaltos ou sob a forma de agressões e homicídios. Já a irreverência e a libertinagem estimulam o comportamento indevido (comportamento vulgar), o que também caracteriza desrespeito e produz fortes violências.
Observe que quando um cidadão agride o outro, ou mata o outro, normalmente o faz em função de alguma situação que considerou desrespeitosa, mesmo que a questão inicial tenha sido banal como um simples pisão no pé ou uma dívida de centavos. Em geral, a raiva que enlouquece a ponto de gerar a violência é conseqüência do nível de desrespeito envolvido na respectiva questão. Portanto, até mesmo um palavrão pode se transformar em desrespeito e produzir violência. Logo, a exploração, o calote, a prepotência, a traição, a infidelidade, a mentira etc., são atitudes de desrespeito e se não forem muito bem explicadas, e justificadas (com pedidos de desculpas e de arrependi-mento), certamente que ao seu tempo resultarão em violências. É de desrespeito em desrespeito que as pessoas acumulam tensões nervosas que, mais tarde, explodem sob a forma de violência.
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Sabendo-se que o desrespeito é o principal causador de violência, podemos então combater a violência diminuindo os diferentes tipos de desrespeito: seja o desrespeito econômico, o desrespeito social, o desrespeito conjugal, o desrespeito familiar e o desrespeito entre as pessoas (a “má educação”). Em termos pessoais, a melhor maneira de prevenir a violência é agir com o máximo de respeito diante de toda e qualquer situação. Em termos governamentais, as autoridades precisam estimular relacionamentos mais justos, menos vulgares e mais reveren-tes na nossa sociedade. O governo precisa diminuir as explorações econômicas (as grandes diferenças de renda) e podar o excesso de “liberdades” principalmente na TV e no sistema educativo do país. A vulgaridade, praticada nos últimos anos vem destruindo valores morais e tornando as pessoas irresponsáveis, imprudentes, desrespeitadoras e inconseqüentes. Por isso, precisamos, também, restabelecer a punição infanto-juvenil tanto em casa quanto na escola. Boa educação se faz com corretos deveres e não com direitos insensatos. Precisamos educar nossos adolescentes com mais realismo e seriedade para mantê-los longe de problemas, fracassos, marginalidade e violência. Se diminuirmos os ilusórios direitos (causadores de rebeldias e desrespeitos) e reforçarmos os deveres, o país não precisará colocar armas de guerra nas mãos da polícia para matar nossos jovens cidadãos (como tem acontecido tão freqüentemente).
Valvim M Dutra
Extraído do capítulo 9 do livro Acorda Brasil.
Ricardo Serravalle
Extraído do site http://www.serravalle.xpg.com.br